domingo, 3 de julho de 2011

Soneto de Ialmar Pio - Imagem: Tela de Glaucia Scherer

Tela de Glaucia Scherer




V E R S O S    D E    A M O R

Ialmar Pio Schneider




Versos de amor, senti-los é o que importa


e aceitá-los no instante da emoção;


uma palavra simples nos exorta


quando acalenta o triste coração.






A poesia romântica conforta


a mais desesperada solidão,


é como a fada que nos abre a porta


para entrarmos no mundo da ilusão.






Por isto quando os leio sinto o enlevo


dos que amaram demais e não me atrevo


a censurá-los, pois sofri também






idêntica amargura que eles têm.


Versos de amor, saudade ou fantasia,


encantais minha vida tão vazia !...






PÁG. 16 - O TIMONEIRO - CANOAS, 01.02.85


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sábado, 2 de julho de 2011

Soneto de Ialmar Pio - Imagem: musa na Internet

Musa



N O I T E    D E    I N S Ô N I A


Ialmar Pio Schneider


Quanto quisera te olvidar agora


antes que seja tarde em demasia,


pois novamente vai romper a aurora


e teremos à frente um novo dia !






Eu te verei passar então lá fora


e me verás também na companhia


dos meus livros, amigos de toda hora,


procurando compor qualquer poesia.






Irás esbelta como sempre estás


seguindo jovialmente teu caminho


sem olhar um instante para trás...






Eu seguirei teus passos de mansinho


com meus olhos cansados e sem paz


lamentando esta vida de sozinho.






CANOAS, 11-1-85 - O TIMONEIRO - PÁG. 6


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em 27.6.2011

Soneto de Ialmar Pio - Imagem: Aquarela de Ângela Ponsi

Aquarela de Ângela Ponsi





MONOTONIA SALUTAR


Ialmar Pio Schneider



Um casal de pardais se banha agora


na poça d’água rente da calçada...


O sol a pino... faz calor nesta hora...


É meio-dia e a tarde começada.






Vem do mar uma brisa que me agrada,


olho a paisagem nítida lá fora.


Estou à sombra e penso em quase nada:


assim minh’alma não sorri nem chora.






Ficar sentado aqui sem perspectiva,


ouvindo a voz das aves e o marulho,


nesta monotonia cansativa;






contudo salutar a quem deseja


fugir do turbilhão e do barulho


para buscar a calma benfazeja...






Praia do Pinhal - 14.2.84






Canoas, 10 de janeiro de 1985 - Página 10 - RADAR


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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Soneto de Ialmar Pio - Imagem: Aquarela de Ângela Ponsi

Aquarela de Ângela Ponsi




SONETO MATUTINO



Ialmar Pio Schneider




Surge a manhã, os pássaros cantores


vêm despertar as nossas emoções...


Quem poderá viver sem ter amores


embora sejam sonhos e ilusões ?






O sol nascente esparge resplendores


que são quais ondas d’ouro aos borbotões;


o próprio orvalho que dá vida às flores


semelha pérolas em profusões...






Nesses momentos de êxtase e de enlevo


sinto quanto minh’alma está vazia


e lastimando tua ausência escrevo.






Se por acaso leres estas linhas


pensa na solidão e na poesia


que sempre foram companheiras minhas.






CANOAS, 28-12-84 - O TIMONEIRO - PÁG. 17

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Soneto de Ialmar Pio - Imagem: Aquarela de Ângela Ponsi

Aquarela de Ângela Ponsi



S O N E T O






Ialmar Pio Schneider






Não quero o verso dos amores impossíveis


que nos fazem sofrer nas longas madrugadas,


nem quero o verso das formas indefiníveis


para esconder a dor das ilusões passadas.






Na minha solidão há fúrias invisíveis


despertando em meu ser canções desesperadas,


hão de compreendê-las as almas mais sensíveis


e aquelas que também forem abandonadas.






Quero o verso levando um pouco de consolo


ao coração que sofre a sangrenta ferida


de sentir-se sozinho andando pela vida...






ou tem um grande amor, ou chora de saudade;


se é na tristeza que permaneço a compô-lo


não pretendo que lhe falte felicidade...






Pág. 18 - O TIMONEIRO - CANOAS, 14-12-84


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EM 29.10.09

Soneto de Ialmar

Poema de Ialmar Pio - Imagem: Tela de Glaucia Scherer

Tela de Glaucia Scherer




R E E N C O N T R O







Ialmar Pio Schneider






Volto a te ver... estás ainda bela;


tens a mesma doçura em teu olhar


e conservas os traços de donzela


que demonstram que vives a sonhar...






E me pergunto se és ainda aquela


que o meu estro fazia despertar,


como abrandando a ríspida procela


que me fizesse sucumbir no mar ?!






Que me dizes do tempo decorrido


após nossos encontros casuais ?






Não me respondas... Volto convencido


que cada vez te quero muito mais !






Pág. 18 - O TIMONEIRO - CANOAS, 2.11.84


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