quinta-feira, 26 de março de 2015




CRÔNICA PARA PORTO ALEGRE NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO - 243 ANOS 

IALMAR PIO SCHNEIDER

     Pelo transcurso dos 243 anos do aniversário da Capital Gaúcha, ocorre-me escrever algo sobre o evento de 26 de março de 1772. Mas por não me aprofundar no assunto, inicialmente, quero dizer que Porto Alegre não se descreve, se vive. Foram tantos os historiadores, poetas, literatos, enfim, que perscrutaram sobre sua história, que desnecessário se faz repetir aqui. Todavia, como disse o poeta, Casimiro de Abreu, em seus inspirados versos de Minha Terra: “Todos cantam sua terra,/ Também vou cantar a minha,/ Nas débeis cordas da lira/ Hei de fazê-la rainha;/ - Hei de dar-lhe a realeza/ Nesse trono de beleza/ Em que a mão da natureza/ Esmerou-se em quanto tinha.”.(...) 
     Diga-se, de passagem, que a cidade fundada às margens do lago ou rio Guaíba (ainda está em discussão a correta denominação), sobressai como uma das mais lindas do Universo, e o seu pôr-do-sol, dizem é o mais fantástico do Mundo. Assim também senti quando compus-lhe o seguinte soneto: Ao pôr-do-sol... Pedes-me que eu defina brevemente/ o que seja emoção e fantasia,/ quando nos encontramos de repente/ num happy hour ao final do dia.// Mas eu que vivo longe, indiferente,/ trazendo no meu peito a rebeldia/ de alguém que acreditava, hoje descrente,/ não consigo dizer-te o que seria...// Apenas fico cada vez mais triste/ e já me vês então transfigurado/ olhando o sol que afunda no Guaíba.// Poesia enfim é tudo quanto existe/ nessas horas em que sonho acordado/ e sinto que a saudade me derriba...
     Com estes versos quero prestar uma modesta homenagem à cidade aniversariante que acolhe a todos os que aqui aportam, tanto rio-grandenses, quanto de outros Estados, como é o caso  de um dos grandes escritores, como o foi, o ínclito literato Guilhermino Cesar, que era mineiro e de tantos outros com que poderia preencher páginas e páginas. Isto é a prova provada de que é uma metrópole cosmopolita sem preconceitos.
     Contudo, o ponto máximo de amor à cidade de Porto Alegre, está no poema de nosso poeta maior, a meu ver, Príncipe dos poetas, Mário Quintana, cuja obra celebrou-a como ninguém: “O mapa – Olho o mapa da cidade/ Como quem examinasse/ A anatomia de um corpo...// (É nem que fosse o meu corpo !)// Sinto uma dor infinita/ Das ruas de Porto Alegre/ Onde jamais passarei...// Há tanta esquina esquisita,/ Tanta nuança nas paredes,/ Há tanta moça bonita/ Nas ruas que não andei/ (E há uma rua encantada/ Que nem em sonhos sonhei...)// Quando eu for, um dia desses,/ Poeira ou folha levada/ No vento da madrugada,/ Serei um pouco do nada/ Invisível, delicioso// Que faz com que o teu ar/ Pareça mais um olhar,/ Suave mistério amoroso,/ Cidade de meu andar/ (Deste já tão longo andar !)/ E talvez do meu repouso...”
     Nem é preciso dizer que vindo do Alegrete, o poeta aqui se integrou e viveu ao longo de sua existência, sempre escrevendo poemas sobre esta cidade acolhedora que ele adotou de coração. Seus maravilhosos sonetos falam da Rua dos cata-ventos, hoje uma travessa na Casa de Cultura que leva seu nome e que é um centro turístico de nossa capital.
     Escusa-me não haver citado tantos outros autores: poetas, cronistas, romancistas, ensaístas, filósofos, e principalmente, o amigo Nelson Fachinelli, poeta de sua bem-amada cidade, pois aqui nasceu e viveu, bem como o insuperável poeta-músico, Lupicínio Rodrigues, cujas composições conquistaram a todos que as ouvem até hoje. Faltou muita gente, mas paciência, pois serão sempre lembrados por mim. Até mais.

    Poeta e cronista – E-mail: menestrel.lobo@terra.com.br



terça-feira, 24 de março de 2015


Selfie 


E ENTÃO SERIAS DEUSA-------Eu fora tão feliz se te pudera/ fazer ainda muito mais feliz./ Oferecer-te uma flor da primavera/ que fosse alegre assim como sorris.// Era de ver... E mais eu te quisera/ se te pudesse curar a cicatriz/ daquele teu amor que foi quimera/ - palavra que se quer e não se diz.// Ambos unidos num suspiro ardente/ de volúpia, de sensação surpresa/ que fizesse tremer profundamente/ as nossas emoções enamoradas/ e nestas horas tu serias a Deusa/ dos meus sonhos em altas madrugadas.--------IALMAR PIO SCHNEIDER  


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL ! 

SONETO DE NATAL II - Porto Alegre – RS, 23 de dezembro de 2011,às 16h37min. – olhando as águas do Guaíba – Bairro Tristeza. -

Quando chega o Natal as almas creem;
e lembram do Menino que nasceu
na manjedoura pobre de Belém,
pois eu penso que não existe ateu...

O ser humano neste mundo vem
para seguir a estrada que escolheu,
porquanto não se sabe de ninguém
que por aqui passou e não sofreu...

Que a Paz se estenda a toda a Humanidade
para que aprenda o exemplo de bondade
da Sagrada Família de Jesus...

Que os corações de todas as pessoas
se irmanem a viver só coisas boas,
iluminados por Divina Luz !

IALMAR PIO SCHNEIDER



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Foto de época 



SONETO DA LIBERTAÇÃO

Quero o caminho da libertação
para seguir na vida mais confiante,
se alimentava mórbida ilusão
procurarei bani-la, doravante.

Preciso estar alerta a todo instante
e suportar a humana condição,
minha vigília deve ser constante
neste universo envolto em turbilhão...

Levo comigo a chama da esperança
e apesar dos percalços da existência
tenho fé, tenho amor, tenho confiança...

Não mais serei o náufrago perdido
pelos mares da angústia e da impaciência,
porque vencendo-me, terei vencido !

IALMAR PIO SCHNEIDER 


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dia Nacional do Livro - 29 de outubro



DIA NACIONAL DO LIVRO

Ialmar Pio Schneider


          Por ter ocorrido em 29 de outubro de 1810 a fundação da Biblioteca Nacional, esta data é comemorada como o Dia Nacional do Livro.
         Ocorreu-me escrever algo a respeito do livro, este amigo mudo mas sábio que me acompanha desde que me conheço por gente. O pouco que sei nesta vida pacata que levo, além dos mestres que me ensinaram, estão os livros como fonte de conhecimentos onde procurei sempre a aprendizagem e o lazer, apesar da mortificante televisão cuja tentação não tenho resistido. 
          Também não posso deixar de referir-me ao leitor para o qual compus um soneto: Ao leitor - Quando escrevo me assalta um pensamento/ indeciso de não saber a quem/ possa atingir meu louco sentimento/ e duvidar assim não me faz bem...// Espero apenas que o meu sofrimento/ não vá prejudicar... ferir ninguém.../ Ponho aqui realidade e fingimento/ para a escolha daqueles que me lêem.// Segue junto comigo se te apraz/ conhecer solidão e fantasia,/ às vezes desespero, às vezes paz:/ meus “Sonetos e Cânticos Dispersos”,/ dizendo que no mundo da poesia/ cada qual é o poeta dos seus versos...
         Pode parecer estranho que quase sempre me socorro da poesia para escrever o meu texto aqui, buscando divulgar os autores, os mais diversos. É uma maneira de despertar o interesse para a arte poética pois sempre vejo nela uma tábua de salvação à realidade cruel que presenciamos no dia-a-dia. Nunca é demais lembrar: “Um país se faz com homens e livros”. Monteiro Lobato (1882-1948). Então, façamos deles os nossos fiéis e constantes companheiros para enfrentar a vida.

em 29.10.2010
JNH – idem.




terça-feira, 30 de setembro de 2014


Foto do ator da Internet

UM AMOR INCOMPREENDIDO E FATAL - O ator faleceu há 59 anos.

Ialmar Pio Schneider

     Quem for da geração cuja adolescência deu-se na década de 1950 a 1960, deve se lembrar que houve um ator de cinema que faleceu jovem, aos 24 anos, de um acidente automobilístico. E que seu carro era um Porsche Spyder. Aconteceu em uma auto-estrada perto de Paso Robles, na Califórnia, em 30 de setembro de 1955, ao dirigir-se à uma corrida de carros-esporte. Durante sua breve existência atuara em apenas três filmes, mas de enorme sucesso pela sua performance, que foram: Vidas amargas, Juventude transviada e Assim caminha a humanidade, e, somente o primeiro havia sido lançado. Tratava-se de James Dean, ou melhor, James Byron Dean, que nasceu em Marion, Indiana, em 8 de fevereiro de 1931. Terminei de ler sua biografia por esses dias, escrita por Ronald Martinetti, tradução de Fernando Albagli e Benjamin Albagli Neto, Editora Nova Fronteira, 1996. Por sinal muito significativa e que mereceu de Martin Pitts, diretor de cinema, Hollywood, Califórnia, a seguinte frase lapidar: “James Dean acendeu uma fagulha para duas gerações de artistas americanos. Ronald Martinetti esclarece magistralmente por que Dean ainda vive.”
     Dos três filmes de que o ator participou, o mais consentâneo com sua personalidade foi Juventude transviada, uma vez que representava uma fase que atravessava de revolta, como colocou Pauline Kael, “faz tudo errado porque se preocupa demais”. De fato, escreve o autor da biografia: “A lenda não é totalmente inexata; tantos dos maneirismos de Dean – a fala arrastada, suave e hesitante, o cigarro no canto da boca, a postura eternamente relaxada – estão presentes no filme, que é difícil determinar onde termina a sua personalidade e onde começa a interpretação”. E mais adiante, trechos de críticas austeras a respeito do filme: “(Embora tenha recebido um selo de código de produção, o filme foi posteriormente condenado em vários lugares por sua violência. Escrevendo no New York Times – 27 de outubro de 1955 -, Bosley Crowther descreveu o filme como “brutal (...) e excessivamente explícito”, e afirmou: “É um filme de deixar o cabelo em pé.” Em Memphis, Tennessee, o comitê de censura local proibiu o filme como sendo “nocivo ao bem-estar público” e na Inglaterra, onde Dean possuía inúmeros fãs, vários anos se passaram até que o filme pudesse ser exibido.)””
     Dos inúmeros relacionamentos amorosos que teve, um foi o mais forte, e, não concretizado, pois não houve o casamento entre ambos, apesar da grande atração entre eles. Foi com a atriz italiana Pier Angeli que repentinamente noivou com o cantor Vic Damone, que havia conhecido na Alemanha, ao participar de um filme três anos antes. Para Dean foi uma perda de que nunca mais se recuperou. E assim o autor do livro descreve, a passagem da atriz e seu trágico fim: “Pier se casou na igreja católica romana de St. Timothy, em Westwood, a 24 de novembro. O casamento duraria apenas quatro anos. Depois disso, Pier diria que James Dean foi o grande amor de sua vida. Contam que, no dia do casamento, o ator, desesperado, sentou-se na motocicleta, do lado de fora da igreja, observando o que acontecia lá dentro. Talvez isso tenha sido um toque de exagero romântico; de qualquer forma, Dean não estava entre os seiscentos convidados que testemunharam a cerimônia no interior da igreja, a mesma igreja onde, dezessete anos depois, a missa pela morte de Pier, um possível suicídio, seria rezada”. Talvez, não totalmente explicitado, a união entre o ator e a atriz não se realizou por motivos de ordem religiosa, uma vez que ela era católica e ele protestante. Mas não se pode ter certeza disto. O fato é que James Dean faleceu tragicamente antes de ficar esclarecido este ponto. Tudo leva a crer, no entanto, que o sofrimento de ambos James e Pier, foi fatal para suas breves vidas. E assim encerra o autor do livro Ronald Martinetti: “Ao primeiro frio do outono no ar de Indiana, James Byron Dean foi enterrado ao lado de sua mãe, em um pequeno cemitério à margem de um campo de milho, um pedaço de terra sombreado por coníferas, que um dia havia sido um cemitério indígena”. Seus fãs o pranteiam pois tornou-se uma lenda...

   Cronista colaborador
Publicado em 04 de janeiro de 2006 – no Diário de Canoas – RS.






segunda-feira, 22 de setembro de 2014


Imagem: flores da primavera na Internet 


O FILÓSOFO SPINOZA E A SUA OBRA “ÉTICA”

Ialmar Pio Schneider

     Estamos entrando na  primavera e a vida continua com seus altos e baixos. Aguarda-se, todavia, os resultados das CPIs que se desenvolvem no Congresso Nacional, acreditando-se que sejam satisfatórios. E por estar lendo atualmente o livro O Pensamento Vivo de Spinoza, extraí do mesmo o seguinte texto, que reputo de irrefutável sabedoria: “O DOMÍNIO DAS EMOÇÕES
     Sofremos enquanto somos uma parte da Natureza, que não se pode conceber por si mesma sem as outras partes.
     A força pela qual o homem persevera na existência é limitada e sobrepuja infinitamente pelo poder das causas exteriores.
     O homem, sempre necessariamente submetido às paixões, segue a ordem comum da Natureza e a obedece, e a ela se adapta tanto quanto a natureza das coisas exige.
     A força de uma paixão ou de uma afeição pode sobrepujar as demais ações do homem, ou de sua força, de tal modo que essa afeição permaneça agregada ao homem.
     Uma afeição só pode ser reduzida ou destruída por outra afeição contrária e mais forte que a afeição reduzida.
     O conhecimento do bom e do mau não é outra coisa que a emoção da alegria ou da tristeza, enquanto temos consciência.
     O conhecimento verdadeiro do bom e do mau não pode reduzir nenhuma emoção, enquanto é verdadeiro, ou somente enquanto é considerado como uma emoção.
     O desejo que nasce do conhecimento verdadeiro do bom e do mau pode ser ampliado ou reduzido por muitos outros desejos, nascidos das emoções que nos dominam.
     Um desejo que nasce da alegria é mais forte, em igualdade de condições, que um desejo que nasce da tristeza.”
     Nota-se que o pensador faz uma análise do homem frente à Natureza que é Deus, e traça comparações lógicas entre paixão e afeição, bom e mau, alegria e tristeza. Cada sentimento destes representa um estado de espírito do ser humano. Sabe-se que sua obra exerceu relevante influência não só sobre os metafísicos que lhe sucederam, mas também aos poetas Goethe, Wordsworth e Shelley. 
     Este filósofo cuja obra Ética, foi publicada pelo seu editor no ano de sua morte, num tomo de suas obras póstumas, proibida de circular no ano seguinte, era a principal. E mais do que tudo, atualmente, deve ser evocada, pelo que se tem presenciado na política pátria. Ele nasceu em Amsterdam, Holanda, descendente de uma família judaica emigrada de Portugal; chamava-se Baruch Spinoza, tendo latinizado seu nome para Benedito, conheceu o estoicismo e o cartesianismo, após haver estudado a tradição filosófica e teológica judaica e a cabala. Seus pensamentos eram voltados para Deus, tendo também conhecido a Escolástica, levando uma vida de meditação e desenvolvido um sistema panteísta cuja influência sempre o atingiu e o envolveu.
     Pela estação das flores que se avizinha, quero inserir o soneto que compus na adolescência: Vida e Primavera – Refloresce a primavera/ cheia de viço e frescor./ Eis! A ilusão da quimera/ de um coração sonhador!// Nesta risonha galera/ seguimos no mar do amor,/ e por tudo o sonho impera/ no seu reino de esplendor.// Quem me dera! Quem me dera/ que esta eterna primavera/ nunca mais tivesse fim.// Quem me dera! Quem me dera !/ Nesta ilusão da quimera/ fosse sempre a vida assim...
     Finalizo com este pensamento maravilhoso de outro pensador: “O mais importante para o ser humano é viver uma vida íntegra. – Existem pessoas que desgastam a própria Vida no afã de ganhar dinheiro, não se importando quão infame se torne o seu modo de viver. Tais pessoas conhecem o valor do dinheiro, mas desconhecem o valor da própria Vida. – Do Livro Guia para uma Vida Feliz – Masaharu Taniguchi”.
     Espero ter contribuído, um mínimo que seja, para que a ética política seja instaurada definitivamente em nosso majestoso País.

   Cronista colaborador
   Publicado em 14 de setembro de 2005 – no Diário de Canoas./RS


http://www.diariodecanoas.com.br/site/interativo/minhas_cronicas,canal-5,ed-90,ct-452.htm
EM 20.09.09
EM 20.09.09
EM 22.9.2011