quinta-feira, 2 de abril de 2015




JESUS É CONDENADO À MORTE

E Pilatos, procurador romano,
mandara vir Jesus à sua presença,
e olhando para o povo desumano,
falou assim com grande indiferença !

- Eis vosso Rei ! Porém, o povo insano,
cheio de cólera, fez uma imensa
algazarra e gritou: - O soberano
nosso é César e Jeová nossa crença !

Então Pilatos, as suas mãos lavando:
- Sou inocente do sangue do justo !
- Que caia sobre nós e nossos filhos !

Responde o povo, a maldição clamando.
Assim foi condenado o Ser augusto
que trouxe a luz para os escuros trilhos.

IALMAR PIO SCHNEIDER


de:
JESUS É CONDENADO À MORTEE Pilatos, procurador romano,
mandara vir Jesus à sua presença,
e olhando para o povo desumano,
falou assim com grande indiferença !
- Eis vosso Rei ! Porém, o povo insano,
cheio de cólera, fez uma imensa
algazarra e gritou: - O soberano
nosso é César e Jeová nossa crença !

Então Pilatos, as suas mãos lavando:
- Sou inocente do sangue do justo !
- Que caia sobre nós e nossos filhos !

Responde o povo, a maldição clamando.
Assim foi condenado o Ser augusto
que trouxe a luz para os escuros trilhos.




 Obs.: Este soneto foi composto pelo autor em 1960, aos 17 anos, e publicado no jornal O Nacional de Passo Fundo - RS, quando meu colega de Técnico em Contabilidade, Carlos Alberto Morsch, o levou para a redação. Se não me engano, foi o primeiro a ser editado na imprensa, porque os anteriores eu os divulgava através dos murais nos Colégios Cristo Rei de Getúlio Vargas - RS, e N.Sra. da Conceição, em Passo Fundo - RS.


domingo, 29 de março de 2015




O OUTONO E O DIA MUNDIAL DO LIVRO

IALMAR PIO SCHNEIDER

     Enquanto transcorre o outono e sofremos esta estiagem prolongada que tanto tem prejudicado aos agricultores, quanto ameaça o abastecimento de água potável nas cidades, em nossa região sul,  vemos chuvaradas e enxurradas alagarem as ruas e casas da grande metrópole de São Paulo. Basta ligarmos as estações de TV à tarde e já vemos helicópteros percorrendo o céus e mostrando, quase que diariamente, o fenômeno acima. Esperemos que a chuva nos visite benéfica e assiduamente nos próximos dias.
      Sempre me atraiu esta estação do ano em que as folhas caem e os poetas cantam e até compus-lhe um poemeto: NO OUTONO - Noites semi-frias/ e virá o inverno depois/ e as noites ficarão mais frias/ e o vento entoará canções...// Estamos no Outono.// No silêncio das madrugadas/ alguém escreve poesias,/ mas as outras madrugadas,/ as que hão de vir, sejam,/ talvez/ mais vazias. (Canoas, 21-5-82). Mas lendo uma antologia Presença da Literatura Brasileira - Modernismo, de Antonio Candido e José Adroaldo Castello, 9ª edição - DIFEL, encontrei à pg. 59, um poema de um dos príncipes de nossos poetas, que muito me agradou e não resisti à tentação de transcrevê-lo abaixo: “Outono - Guilherme de Almeida - O ar é ágil e passa com uma elegância fina/ entre as folhas das laranjeiras./ Além para o pomar cheiroso a tua cortina:/ vê como a luz que vem das trepadeiras/ é verde e leve e as folhas como estão firmes nos galhos !// E no entanto é Outono./ Estende os teus lábios para este ar puro:/ hás de sentir na tua boca um beijo doce/ como se o ar fosse uma abelha e os teus lábios fossem/ dois gomos de um fruto maduro.”  É preciso explicar ? tão linda metáfora ? !
     Outrossim, no dia 23 p.p., foi comemorado o Dia Mundial do Livro, reverenciando a data de nascimento e morte do insuperável poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare (*1564-+1616) e o falecimento do não menos importante escritor espanhol Miguel Cervantes Saavedra, (*1547-+1616), os quais nos deixaram obras-primas universais: HAMLET - “Ser ou não ser, essa é que é a questão:/ Será mais nobre suportar na mente/ As flechadas da trágica fortuna/ Ou tomar armas contra um mar de escolhos/ E, enfrentando-os, vencer? Morrer - dormir:/ Nada mais; e dizer que pelo sono/ Findam as dores, como os mil abalos/Inerentes à carne - é a conclusão/ Que devemos buscar. Morrer - dormir./ Dormir ! Talvez sonhar - eis o problema,/ Pois os sonhos que vierem nesse sono/ De morte, uma vez livres deste invólucro/ Mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida.(...) (trad. de Ana Amélia Carneiro de Mendonça); ou DOM QUIXOTE, de que um poeta amigo, o saudoso Clóvis Soares Siedler, de São Leopoldo, escreveu o seguinte soneto, com o qual quero aqui lembrar-lhe a memória: “CENA FINAL - Regressa Dom Quixote ao quarto do solar,/ exausto dos afãs de cavaleiro andante./ Escuta-se, lá fora, o velho Rocinante/ - narinas a fremir - sorvendo ansiado o ar.// Na febre que acomete o triste viandante/ - no leito de doença - um raio de luar/ parece convidá-lo a um novo pelejar/ por sua Dulcinéia - a dama fascinante.// Em vão, doido, o luar provoca Dom Quixote./ A pátina apagou já do broquel o mote./ A lança enferrujou. Não há mais ideal.// Há paz, apenas paz, na fronte encanecida/ do ancião, e - em seu olhar - a imagem refletida/ do lábaro do sonho hasteado em funeral.” Do livro: Caminhos do Tempo - pg. 122. Também neste dia 23 p.p., comemora-se o dia de São Jorge, protetor dos cavaleiros, bem como dos cavalos e do gado.
     Daqui onde estou, vejo a paineira cujas flores caíram há poucos dias, mas as folhas verde-escuras ainda persistem. É o eterno ciclo da natureza que transcorre. Aguardemos a chuva !
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   Poeta e cronista - E-mail: menestrel@brturbo.com

   Publicado no Diário de Canoas – em 28 de abril de 2004-04-29


quinta-feira, 26 de março de 2015




CRÔNICA PARA PORTO ALEGRE NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO - 243 ANOS 

IALMAR PIO SCHNEIDER

     Pelo transcurso dos 243 anos do aniversário da Capital Gaúcha, ocorre-me escrever algo sobre o evento de 26 de março de 1772. Mas por não me aprofundar no assunto, inicialmente, quero dizer que Porto Alegre não se descreve, se vive. Foram tantos os historiadores, poetas, literatos, enfim, que perscrutaram sobre sua história, que desnecessário se faz repetir aqui. Todavia, como disse o poeta, Casimiro de Abreu, em seus inspirados versos de Minha Terra: “Todos cantam sua terra,/ Também vou cantar a minha,/ Nas débeis cordas da lira/ Hei de fazê-la rainha;/ - Hei de dar-lhe a realeza/ Nesse trono de beleza/ Em que a mão da natureza/ Esmerou-se em quanto tinha.”.(...) 
     Diga-se, de passagem, que a cidade fundada às margens do lago ou rio Guaíba (ainda está em discussão a correta denominação), sobressai como uma das mais lindas do Universo, e o seu pôr-do-sol, dizem é o mais fantástico do Mundo. Assim também senti quando compus-lhe o seguinte soneto: Ao pôr-do-sol... Pedes-me que eu defina brevemente/ o que seja emoção e fantasia,/ quando nos encontramos de repente/ num happy hour ao final do dia.// Mas eu que vivo longe, indiferente,/ trazendo no meu peito a rebeldia/ de alguém que acreditava, hoje descrente,/ não consigo dizer-te o que seria...// Apenas fico cada vez mais triste/ e já me vês então transfigurado/ olhando o sol que afunda no Guaíba.// Poesia enfim é tudo quanto existe/ nessas horas em que sonho acordado/ e sinto que a saudade me derriba...
     Com estes versos quero prestar uma modesta homenagem à cidade aniversariante que acolhe a todos os que aqui aportam, tanto rio-grandenses, quanto de outros Estados, como é o caso  de um dos grandes escritores, como o foi, o ínclito literato Guilhermino Cesar, que era mineiro e de tantos outros com que poderia preencher páginas e páginas. Isto é a prova provada de que é uma metrópole cosmopolita sem preconceitos.
     Contudo, o ponto máximo de amor à cidade de Porto Alegre, está no poema de nosso poeta maior, a meu ver, Príncipe dos poetas, Mário Quintana, cuja obra celebrou-a como ninguém: “O mapa – Olho o mapa da cidade/ Como quem examinasse/ A anatomia de um corpo...// (É nem que fosse o meu corpo !)// Sinto uma dor infinita/ Das ruas de Porto Alegre/ Onde jamais passarei...// Há tanta esquina esquisita,/ Tanta nuança nas paredes,/ Há tanta moça bonita/ Nas ruas que não andei/ (E há uma rua encantada/ Que nem em sonhos sonhei...)// Quando eu for, um dia desses,/ Poeira ou folha levada/ No vento da madrugada,/ Serei um pouco do nada/ Invisível, delicioso// Que faz com que o teu ar/ Pareça mais um olhar,/ Suave mistério amoroso,/ Cidade de meu andar/ (Deste já tão longo andar !)/ E talvez do meu repouso...”
     Nem é preciso dizer que vindo do Alegrete, o poeta aqui se integrou e viveu ao longo de sua existência, sempre escrevendo poemas sobre esta cidade acolhedora que ele adotou de coração. Seus maravilhosos sonetos falam da Rua dos cata-ventos, hoje uma travessa na Casa de Cultura que leva seu nome e que é um centro turístico de nossa capital.
     Escusa-me não haver citado tantos outros autores: poetas, cronistas, romancistas, ensaístas, filósofos, e principalmente, o amigo Nelson Fachinelli, poeta de sua bem-amada cidade, pois aqui nasceu e viveu, bem como o insuperável poeta-músico, Lupicínio Rodrigues, cujas composições conquistaram a todos que as ouvem até hoje. Faltou muita gente, mas paciência, pois serão sempre lembrados por mim. Até mais.

    Poeta e cronista – E-mail: menestrel.lobo@terra.com.br



terça-feira, 24 de março de 2015


Selfie 


E ENTÃO SERIAS DEUSA-------Eu fora tão feliz se te pudera/ fazer ainda muito mais feliz./ Oferecer-te uma flor da primavera/ que fosse alegre assim como sorris.// Era de ver... E mais eu te quisera/ se te pudesse curar a cicatriz/ daquele teu amor que foi quimera/ - palavra que se quer e não se diz.// Ambos unidos num suspiro ardente/ de volúpia, de sensação surpresa/ que fizesse tremer profundamente/ as nossas emoções enamoradas/ e nestas horas tu serias a Deusa/ dos meus sonhos em altas madrugadas.--------IALMAR PIO SCHNEIDER  


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL ! 

SONETO DE NATAL II - Porto Alegre – RS, 23 de dezembro de 2011,às 16h37min. – olhando as águas do Guaíba – Bairro Tristeza. -

Quando chega o Natal as almas creem;
e lembram do Menino que nasceu
na manjedoura pobre de Belém,
pois eu penso que não existe ateu...

O ser humano neste mundo vem
para seguir a estrada que escolheu,
porquanto não se sabe de ninguém
que por aqui passou e não sofreu...

Que a Paz se estenda a toda a Humanidade
para que aprenda o exemplo de bondade
da Sagrada Família de Jesus...

Que os corações de todas as pessoas
se irmanem a viver só coisas boas,
iluminados por Divina Luz !

IALMAR PIO SCHNEIDER



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Foto de época 



SONETO DA LIBERTAÇÃO

Quero o caminho da libertação
para seguir na vida mais confiante,
se alimentava mórbida ilusão
procurarei bani-la, doravante.

Preciso estar alerta a todo instante
e suportar a humana condição,
minha vigília deve ser constante
neste universo envolto em turbilhão...

Levo comigo a chama da esperança
e apesar dos percalços da existência
tenho fé, tenho amor, tenho confiança...

Não mais serei o náufrago perdido
pelos mares da angústia e da impaciência,
porque vencendo-me, terei vencido !

IALMAR PIO SCHNEIDER 


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dia Nacional do Livro - 29 de outubro



DIA NACIONAL DO LIVRO

Ialmar Pio Schneider


          Por ter ocorrido em 29 de outubro de 1810 a fundação da Biblioteca Nacional, esta data é comemorada como o Dia Nacional do Livro.
         Ocorreu-me escrever algo a respeito do livro, este amigo mudo mas sábio que me acompanha desde que me conheço por gente. O pouco que sei nesta vida pacata que levo, além dos mestres que me ensinaram, estão os livros como fonte de conhecimentos onde procurei sempre a aprendizagem e o lazer, apesar da mortificante televisão cuja tentação não tenho resistido. 
          Também não posso deixar de referir-me ao leitor para o qual compus um soneto: Ao leitor - Quando escrevo me assalta um pensamento/ indeciso de não saber a quem/ possa atingir meu louco sentimento/ e duvidar assim não me faz bem...// Espero apenas que o meu sofrimento/ não vá prejudicar... ferir ninguém.../ Ponho aqui realidade e fingimento/ para a escolha daqueles que me lêem.// Segue junto comigo se te apraz/ conhecer solidão e fantasia,/ às vezes desespero, às vezes paz:/ meus “Sonetos e Cânticos Dispersos”,/ dizendo que no mundo da poesia/ cada qual é o poeta dos seus versos...
         Pode parecer estranho que quase sempre me socorro da poesia para escrever o meu texto aqui, buscando divulgar os autores, os mais diversos. É uma maneira de despertar o interesse para a arte poética pois sempre vejo nela uma tábua de salvação à realidade cruel que presenciamos no dia-a-dia. Nunca é demais lembrar: “Um país se faz com homens e livros”. Monteiro Lobato (1882-1948). Então, façamos deles os nossos fiéis e constantes companheiros para enfrentar a vida.

em 29.10.2010
JNH – idem.