ACONTECEU NA 1ª BIENAL ===Ialmar Pio Schneider=== Quando da realização do evento da 1ª BIENAL que ocorreu em Porto Alegre - RS, de 2 de outubro a 30 de novembro de 1997, compareceram pessoas de muitas cidades do estado, do país e do exterior, a fim de apreciar as obras de artes plásticas expostas em vários locais da capital gaúcha. Foram muitos os dias de intensa atividade artística, em que até um ônibus especial ficava à disposição dos interessados, em frente ao Mercado Público, de onde partia transportando-os aos diversos lugares da exposição. Nessa ocasião alguns flertes floresceram e houve romances que frutificaram. É o caso da história abaixo e de outras tantas que não foram registradas, como de fato geralmente sói acontecer nesses momentos em que se misturam a realidade com a fantasia. Despertara-lhe a curiosidade de saber quem era aquela mulher que avistara em certa tarde na Exposição da Bienal. Aparentava beirar os trinta anos e era morena clara. Tinha um corpo bem feito, torneado, e caminhava com certa esbeltez, olhando os quadros, admirando-os. Parecia andar solta dentro de um vestido de seda que a abrigava, deixando-a, assim, muito atraente. Olhava-a, de vez em quando, disfarçadamente, e ela parecia, mais ou menos, corresponder-lhe com discrição. E o flerte prosseguia inconseqüente, até que Menandro, criando coragem, aproximou-se dela, vencendo a timidez , e disse-lhe: - Interessantes estes quadros... Estás apreciando? - É... realmente, são muito sugestivos - respondeu-lhe Lívia. - És daqui mesmo de Porto Alegre? - Não, sou de Caxias do Sul. E tu? - Eu sou de Passo Fundo e estou passeando por aqui. Vim ontem. Mas, vamos tomar alguma coisa no barzinho? - Pois não; podemos ir. Saíram e foram caminhando, a conversar, pela rua Sete de Setembro e entraram na lancheria em frente à Praça Montevidéu, no largo da Prefeitura Municipal. Pediram refrigerantes e foram bebendo-os, enquanto escutavam a música ambiental. - O que vais fazer hoje à noite? - Não sei ainda... mas talvez volte a Caxias. - Se eu te convidar, aceitas? - Depende para o que seja. - Vamos assistir ao filme “Navalha na Carne”, com a Vera Fischer. Está passando ali no cinema Vitória. Ela concordou e após lancharem dirigiram-se ao cinema. Tinham muito que conversar ainda, pois ambos não se conheciam e vieram de cidades diferentes. Menandro pensava que tudo se encaminhava bem e Lívia da mesma forma. É bem provável que nascera aí um amor à primeira vista para preencher o vazio da existência de duas pessoas solitárias que se encontraram casualmente. ________________________ Poeta e contista Publicado em 03 de agosto de 1999 - no Diário de Canoas. http://ial123.blog.terra.com.br/ em 23.05.2010 DIÁRIO DE NOVO HAMBURGO EM 23.04.10 http://ialmarpioschneider.blogspot.com/ EM 13.8.2010 http://www.jornalnh.com.br/site/interativo/minhas_cronicas,canal-5,ed-90,ct-452.htm EM 13.8.2010 terça-feira, 5 de abril de 2011
CONTO de IALMAR PIO - AQUARELA de ÂNGELA PONSI
ACONTECEU NA 1ª BIENAL ===Ialmar Pio Schneider=== Quando da realização do evento da 1ª BIENAL que ocorreu em Porto Alegre - RS, de 2 de outubro a 30 de novembro de 1997, compareceram pessoas de muitas cidades do estado, do país e do exterior, a fim de apreciar as obras de artes plásticas expostas em vários locais da capital gaúcha. Foram muitos os dias de intensa atividade artística, em que até um ônibus especial ficava à disposição dos interessados, em frente ao Mercado Público, de onde partia transportando-os aos diversos lugares da exposição. Nessa ocasião alguns flertes floresceram e houve romances que frutificaram. É o caso da história abaixo e de outras tantas que não foram registradas, como de fato geralmente sói acontecer nesses momentos em que se misturam a realidade com a fantasia. Despertara-lhe a curiosidade de saber quem era aquela mulher que avistara em certa tarde na Exposição da Bienal. Aparentava beirar os trinta anos e era morena clara. Tinha um corpo bem feito, torneado, e caminhava com certa esbeltez, olhando os quadros, admirando-os. Parecia andar solta dentro de um vestido de seda que a abrigava, deixando-a, assim, muito atraente. Olhava-a, de vez em quando, disfarçadamente, e ela parecia, mais ou menos, corresponder-lhe com discrição. E o flerte prosseguia inconseqüente, até que Menandro, criando coragem, aproximou-se dela, vencendo a timidez , e disse-lhe: - Interessantes estes quadros... Estás apreciando? - É... realmente, são muito sugestivos - respondeu-lhe Lívia. - És daqui mesmo de Porto Alegre? - Não, sou de Caxias do Sul. E tu? - Eu sou de Passo Fundo e estou passeando por aqui. Vim ontem. Mas, vamos tomar alguma coisa no barzinho? - Pois não; podemos ir. Saíram e foram caminhando, a conversar, pela rua Sete de Setembro e entraram na lancheria em frente à Praça Montevidéu, no largo da Prefeitura Municipal. Pediram refrigerantes e foram bebendo-os, enquanto escutavam a música ambiental. - O que vais fazer hoje à noite? - Não sei ainda... mas talvez volte a Caxias. - Se eu te convidar, aceitas? - Depende para o que seja. - Vamos assistir ao filme “Navalha na Carne”, com a Vera Fischer. Está passando ali no cinema Vitória. Ela concordou e após lancharem dirigiram-se ao cinema. Tinham muito que conversar ainda, pois ambos não se conheciam e vieram de cidades diferentes. Menandro pensava que tudo se encaminhava bem e Lívia da mesma forma. É bem provável que nascera aí um amor à primeira vista para preencher o vazio da existência de duas pessoas solitárias que se encontraram casualmente. ________________________ Poeta e contista Publicado em 03 de agosto de 1999 - no Diário de Canoas. http://ial123.blog.terra.com.br/ em 23.05.2010 DIÁRIO DE NOVO HAMBURGO EM 23.04.10 http://ialmarpioschneider.blogspot.com/ EM 13.8.2010 http://www.jornalnh.com.br/site/interativo/minhas_cronicas,canal-5,ed-90,ct-452.htm EM 13.8.2010 segunda-feira, 4 de abril de 2011
SONETO de IALMAR PIO - IMAGEM da INTERNET - MUSA
SONETO PARA A ALMA GÊMEA
Ialmar Pio Schneider
O poeta é aquele que vê mais longe:
pode saber de tudo ou quase nada....
Tanto é um pecador quanto é um monge,
vive numa caverna ou segue a estrada
dos sonhos. Às vezes parece um conde
a procurar sua alma gêmea, a maga
que num castelo medieval se esconde,
cuja lembrança a solidão lhe afaga.
Também não deixa de sofrer por isso
e nunca se conforta no prazer
de sempre se afastar do rebuliço;
assim é que pretende compreender
o destino que leva no feitiço
questionável do “ser ou do não ser” !
Canoas (RS), 01 de dezembro de 1999.
em 26.9.2010
Jornal de Novo Hamburgo em 26.9.2010
domingo, 3 de abril de 2011
CRÔNICA DE IALMAR PIO - IMAGENS DA INTERNET -
CRÔNICA de IALMAR PIO=====
BRIQUE DA REDENÇÃO =====
IALMAR PIO SCHNEIDER =====
Cada domingo é uma festa para os que têm o privilégio de freqüentá-lo. Pessoas de todas as idades e ideologias passeiam ao largo da avenida, conversando, paquerando, olhando as estantes e perscrutando as mil e uma bugigangas expostas. Tudo tem o seu valor, tudo tem o seu preço. Muitos são os objetos antigos em oferta: móveis, louças, panelas, caçarolas, livros, discos, etc. Por outro lado, existem também as obras de arte (quadros de pinturas diversas, a óleo), aquarelas, e o artesanato (cuias, estojos, barricas para erva-mate), enfim, apetrechos para o chimarrão. São tantas coisas, até imprevisíveis ou estapafúrdias, que aparecem para permuta ou venda - moedas antigas, selos velhos, fogareiros, ferros de passar a carvão, vitrolas... Há os colecionadores ávidos de encontrar antiqualhas originais que tanto apreciam. Surgem também os criadores de cães e gatos, das mais variadas raças, que vendem os filhotes a quem os queira adquirir, e não são poucos os que os compram, pois um animalzinho de estimação sempre faz parte do cotidiano daqueles que os podem manter. A banca do mel é muito freqüentada, já que a oferta de um produto puro desperta o interesse de quantos apreciam esse manjar saboroso e tão completo. Os que ali chegam recebem uma prova para sentirem sua essência (eucalipto, laranjeira, florada silvestre, etc.). De repente, um aglomerado de gente: é uma apresentação musical. Alguém cantando na manhã ensolarada; e as frases da canção enchendo o ar - “Felicidade foi-se embora e a saudade ainda mora...”, a evocar Lupicínio Rodrigues, o poeta inesquecível. Lá mais adiante estão os bugres vendendo seus balaios multicoloridos, eles que são os mais legítimos filhos desta terra brasileira, uma vez que aqui se encontravam quando da chegada dos descobridores lusos e espanhóis. Hoje tão escassos resistem à civilização imposta, sofrivelmente. Também não é difícil imaginar quantos encontros amorosos ou de amigos que não se viam há tempo, aconteceram aqui, nesses 20 anos! E daqueles quantos não frutificaram? Os pais que trazem seus filhos a fim de espairecerem, os casais de namorados que desfilam de braços dados, os idosos enfrentando a velhice com resignação, todos parecem seguir seus destinos de maneira salutar na esperança de novos dias. Certamente que a vida seria mais triste se não houvesse um local tão aprazível para preencher as horas de lazer nas manhãs dos domingos porto-alegrenses. Eis um simples esboço do Brique da Redenção, decantado em prosa e verso, que já se transformou em uma tradicional referência para nossa altaneira cidade que desperta ao sorriso das águas do Guaíba ! ___________________________ Poeta e cronista Publicado em 27 de outubro de 1998 - no Diário de Canoas. [ 1 comentário aprovado]
CRÔNICA de IALMAR PIO 12/05/2009 20:20Comentar esta mensagem Olá, Ialmar! Moro tão próximo a Porto Alegre e nunca visitei o Brique da Redenção. Gostei muito de saber sobre tudo que há neste local. Tudo descrito de uma forma tão encantadora e com tanta propriedade. Parabéns!Continue escrevendo sobre as belezas desta cidade.Ana Maria amcer@terra.com.br 24/05/2009 17:38Responder este comentário
POESIA GAUCHESCA de IALMAR PIO - TELA de GLAUCIA SCHERER
PETIÇO ZAINO ===== Ialmar Pio Schneider ===== Velho petiço que eu tive nos meus tempos de guri, hoje eu me lembro de ti e vou sentindo saudade, esta mágoa sem idade que sempre nos acompanha, pois não se afoga com canha e nem o fogo destrói porque quanto mais nos dói menos sentimos a sanha. E vou recordando agora quando te punha o lombilho e meio saco de milho numa mala de garupa, depois saía num upa rumo ao moinho do rincão donde eu trazia então a farinha pra polenta o que tanto nos sustenta e até dá pra fazer pão. Não esqueço nunca mais daquele petiço manso que nunca teve descanso e foi o meu companheiro, quando aprendiz de tropeiro adquiria experiência de tudo quanto a existência vai tramando com enleios velho amigo de rodeios na minha xucra querência. E depois vim pra cidade viver no meio do povo, pensando em ti me comovo pois sinto barbaridade uma dor que o peito invade e me vai tomando conta, como quem anda de ponta com o destino caborteiro que nos leva no entrevero e tanta vez nos afronta. Eras o orgulho que eu tinha quando em manhãs de domingo no meio de tanto gringo eu ia assistir à missa. Troteavas sem preguiça no teu maior otimismo me levando ao catecismo onde a gente se prepara pra ter vergonha na cara, não praticar banditismo. Sempre foste meu amigo onde andasse bem ou mal até que a sina fatal nos separou de repente. Numa tarde de sol quente deixando o pago pra trás me despedi de meus pais e vim morar por aqui; depois, nunca mais te vi, nem me viste nunca mais!... Do livro em preparo: “Verso Xucro e Recuerdos do meu Rincão”. - Versos gauchescos http://ial123.blog.terra.com.br/ em 13.8.2010 http://www.jornalnh.com.br/site/interativo/interativo_blog,canal-5,ed-104,ct-107.htm EM 14.8.2010
sábado, 2 de abril de 2011
CRÔNICA REPUBLICADA de IALMAR PIO - IMAGEM: Palhaço - Aquarela de ÂNGELA PONSI
SOBRE O “ PROJETO ARLEQUIM” ======IALMAR PIO SCHNEIDER===== Há alguns meses, estando em Capão da Canoa, tive a oportunidade de adquirir um livro de aventuras intitulado O CAPITÃO FRACASSO, de Théophile Gautier, tradução e adaptação de Myriam Campello, do original “Le Capitaine Fracasse”, cuja leitura muito me agradou, já em Porto Alegre, nos meados do mês de abril. Procurei depois saber da biografia do autor e encontrei-a na Enciclopédia Brasileira Mérito, e o mesmo ter sido poeta e escritor francês, nascido em Tarbes, em 31-8-1811; e falecido em Neuilly, em 23-12-1872. Consta haver estudado, desde a tenra idade, a Literatura Francesa dos séculos XVI e XVII, de que publicou inúmeros ensaios literários, muito apreciados na época. Embora tenha pertencido à Escola Romântica, devido à sua poesia de Esmaltes e Camafeus (1856), sempre revista até à sua morte, pode ser considerado um irrefutável precursor do Parnasianismo. A sua obra literária foi extensa, abrangendo ensaios, romances, poemas, crônicas de viagens, etc., que, reunida, certamente, atingiria mais de trezentos volumes, só de esparsas. Entretanto, o que me leva a escrever estas considerações, é o fato de haver assistido ao filme A Viagem do Capitão Tornado (Il Viaggio Di Capitan Fracassa) - Direção: Ettore Scola - País: Itália, 1990 - Duração: 130 min. - Com: Massimo Troisi e Ornella Muti, dentro do programa Imagens da commedia dell’arte: o teatro e o cinema contemporâneos, na segunda temporada de eventos do Projeto Arlequim, no dia 30 de julho de 2002, na sala leste do Santander Cultural, rua Sete de Setembro, 1028 - P.Alegre. Jornal de Novo Hamburgo em 5.9.2010 SOBRE O “ PROJETO ARLEQUIM” – II Ialmar Pio Schneider Conforme as imagens e as cenas iam se sucedendo na tela, ocorria-me lembrar das passagens do romance e despertavam meu interesse as personagens histriônicas e as beldades femininas que fizeram parte do elenco. E quanto reclamavam de fome ! Não é por menos que o texto inicia com o capítulo O Castelo da Miséria e termina com O Castelo da Felicidade, tendo neste período intermediário sofrido diversas privações e acontecimentos inesperados... Bem se pode aquilatar as peripécias que enfrentava a troupe na viagem que estava fazendo para Paris. Foram mais de duas horas de entretenimento agradável em que a comicidade da peça - quase teatral, ou até teatral - despertava o riso nos espectadores. Tanto é que, no final, alguém, uma senhorita, disse: - De tanto ouvir reclamar de fome, vou ter que comer alguma coisa. No segundo dia, ou seja, em 31 de julho, assisti ao filme Cyrano (Cyrano de Bergerac) - País: França, 1989 - Duração: 135 min. - Direção: Jean-Paul Poppeneou - Com: Gerard Depardieu e Anne Brochet. Trata-se da biografia do literato francês Saviniano Cirano de Bergerac, nascido em Paris, em 6-3-1620 e falecido em setembro de 1655, na mesma cidade. Apesar de uma curta existência de 35 anos, envolveu-se em alguns duelos, deixou uma obra relativamente extensa e bizarra; assim o Mestre-Escola Folgazão (1654), em que ridicularizava seu antigo professor João Grangier; e outras tragicomédias, além de poesias. Jornal de Novo Hamburgo em 6.9.2010 SOBRE O “ PROJETO ARLEQUIM” – III Ialmar Pio Schneider Por último, em 1º de agosto, foi apresentado o filme Arlequim, Servidor de Dois Patrões (Arlecchino, servitore di due padroni) - Direção: Giorgio Strehler - País: Itália, 1970 - Duração: 120 min. - Com: elenco do Piccolo Teatro di Milano. É uma peça do comediógrafo, considerado o fundador do moderno teatro italiano Carlos Goldoni; nascido em Veneza em 15-2-1707 e falecido em Paris, em 6-2-1793. Levou uma vida cheia de altos e baixos, e sendo privado, pela Revolução Francesa, de uma modesta pensão que percebia, terminou seus dias na miséria. Resta-me agradecer e elogiar programas desta natureza que acontecem, gratuitamente, em horário bem razoável, às 19 h., em nossa Capital. Parabéns aos organizadores ! ___________________________ Cronista e poeta Publicado em 21 de agosto de 2002 - no Diário de Canoas Jornal de Novo Hamburgo em 6.9.2010. http://ial123.blog.terra.com.br/ em 5.9.2010 http://ialmar.pio.schneider.zip.net/ EM 29.06.2009 DIÁRIO DE CANOAS EM 13.12.09 http://ialmarpioschneider.blogspot.com/ em 4.4.2010
sexta-feira, 1 de abril de 2011
SONETO de IALMAR PIO - IMAGEM da INTERNET - DOM QUIXOTE
Dom Quixote
SONETO QUIXOTESCO
(Para o Pedro Geraldo Escosteguy)
___________________________
Ialmar Pio Schneider
___________________________
É preciso escrever, eu quero um mote;
pois assim desenvolvo meu talento
e a investir contra os moinhos de vento
serei o personagem Dom Quixote.
No Rocinante vou seguindo a trote
e o Sancho Pança me acompanha lento,
porém p’ra terminar o meu tormento
desejo Dulcinéia com seu dote.
Minha luta começa todo o dia
e por sempre manter a fidalguia
jamais irei parar à meia viagem.
P’ra tanto tenho força de vontade
e embora encontre tanta adversidade,
não me faltam bravura nem coragem.
CANOAS, 6.4.84 - O TIMONEIRO - PÁG. 17 _______________________________________________________________________ ------------------------------------------------------------------------------------------------ http://ial123.blog.terra.com.br/ em 10.8.2010
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