domingo, 11 de abril de 2010

POEMA de IALMAR - AQUARELA de ÂNGELA

Aquarela de Ângela Ponsi


C Â N T I C O I

Ialmar Pio Schneider

Cultivo um amor oculto
que cresce dentro de mim;
dia a dia toma vulto,
parece nunca ter fim...

Nas horas tristes, perdido
no meio da multidão,
procuro no mar do olvido
já me afogar, mas em vão.

Quando as folhas do passado
uma após outra perpasso,
quase fico revoltado
me culpando do fracasso...

Pois melhor fora, talvez,
não criar a fantasia
de viver na timidez
que esta paixão requeria.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

SONETO de IALMAR - AQUARELA de ÂNGELA

Aquarela de Ângela Ponsi

O E N C O N T R O

Ialmar Pio Schneider

Necessito teu cálido carinho
para o ritmo poético cansado
prosseguir como nunca o seu caminho
rumo à vida, ao esplendor sempre sonhado.

E falando-te ao ouvido de mansinho,
mais venturoso, menos desgraçado,
meu verso tênue cantará baixinho
coisas do amor presente sem passado.

Entretanto se algum dia a pedra frouxa
desandar fatalmente de sua rocha
obstruindo-nos a viagem para além;

se tivermos que retornar exaustos
encontrarás coragem em meus haustos
e em teus beijos a encontrarei também !

quarta-feira, 7 de abril de 2010

S O N E T O de IALMAR PIO - AQUARELA de ÂNGELA PON

Aquarela de Ângela Ponsi


DESTINO DE LUZES

Ialmar Pio Schneider

Eu sou teu... tu és minha... pouco importa
o dia que amanhã, nascer tristonho...
O sol se fez presente à minha porta
e cresceu em minh’alma um grande sonho.

És a relíquia, onde a vida incerta
achou deleite para o mal ferrenho...
Hoje, meu ser se transmudou, na certa
possui o bem-querer e a dor não tenho.

Gosto de ti; gostas de mim, me dizes.
Podemos, mundo afora ser felizes
sempre unidos num mesmo destemor,

porque nosso destino foi talhado
de luzes, e sem sombras do passado
desliza florescido pelo amor.


domingo, 4 de abril de 2010

CRÔNICA LITERÁRIA

Aquarela de Ângela Ponsi
SOBRE O “ PROJETO ARLEQUIM”

IALMAR PIO SCHNEIDER

Há alguns meses, estando em Capão da Canoa, tive a oportunidade de adquirir um livro de aventuras intitulado O CAPITÃO FRACASSO, de Théophile Gautier, tradução e adaptação de Myriam Campello, do original “Le Capitaine Fracasse”, cuja leitura muito me agradou, já em Porto Alegre, nos meados do mês de abril. Procurei depois saber da biografia do autor e encontrei-a na Enciclopédia Brasileira Mérito, e o mesmo ter sido poeta e escritor francês, nascido em Tarbes, em 31-8-1811; e falecido em Neuilly, em 23-12-1872. Consta haver estudado, desde a tenra idade, a Literatura Francesa dos séculos XVI e XVII, de que publicou inúmeros ensaios literários, muito apreciados na época. Embora tenha pertencido à Escola Romântica, devido à sua poesia de Esmaltes e Camafeus (1856), sempre revista até à sua morte, pode ser considerado um irrefutável precursor do Parnasianismo. A sua obra literária foi extensa, abrangendo ensaios, romances, poemas, crônicas de viagens, etc., que, reunida, certamente, atingiria mais de trezentos volumes, só de esparsas.
Entretanto, o que me leva a escrever estas considerações, é o fato de haver assistido ao filme A Viagem do Capitão Tornado (Il Viaggio Di Capitan Fracassa) - Direção: Ettore Scola - País: Itália, 1990 - Duração: 130 min. - Com: Massimo Troisi e Ornella Muti, dentro do programa Imagens da commedia dell’arte: o teatro e o cinema contemporâneos, na segunda temporada de eventos do Projeto Arlequim, no dia 30 de julho de 2002, na sala leste do Santander Cultural, rua Sete de Setembro, 1028 - P.Alegre.
Conforme as imagens e as cenas iam se sucedendo na tela, ocorria-me lembrar das passagens do romance e despertavam meu interesse as personagens histriônicas e as beldades femininas que fizeram parte do elenco. E quanto reclamavam de fome ! Não é por menos que o texto inicia com o capítulo O Castelo da Miséria e termina com O Castelo da Felicidade, tendo neste período intermediário sofrido diversas privações e acontecimentos inesperados... Bem se pode aquilatar as peripécias que enfrentava a troupe na viagem que estava fazendo para Paris. Foram mais de duas horas de entretenimento agradável em que a comicidade da peça - quase teatral, ou até teatral - despertava o riso nos espectadores. Tanto é que, no final, alguém, uma senhorita, disse: - De tanto ouvir reclamar de fome, vou ter que comer alguma coisa.
No segundo dia, ou seja, em 31 de julho, assisti ao filme Cyrano (Cyrano de Bergerac) - País: França, 1989 - Duração: 135 min. - Direção: Jean-Paul Poppeneou - Com: Gerard Depardieu e Anne Brochet. Trata-se da biografia do literato francês Saviniano Cirano de Bergerac, nascido em Paris, em 6-3-1620 e falecido em setembro de 1655, na mesma cidade. Apesar de uma curta existência de 35 anos, envolveu-se em alguns duelos, deixou uma obra relativamente extensa e bizarra; assim o Mestre-Escola Folgazão (1654), em que ridicularizava seu antigo professor João Grangier; e outras tragicomédias, além de poesias.
Por último, em 1º de agosto, foi apresentado o filme Arlequim, Servidor de Dois Patrões (Arlecchino, servitore di due padroni) - Direção: Giorgio Strehler - País: Itália, 1970 - Duração: 120 min. - Com: elenco do Piccolo Teatro di Milano. É uma peça do comediógrafo, considerado o fundador do moderno teatro italiano Carlos Goldoni; nascido em Veneza em 15-2-1707 e falecido em Paris, em 6-2-1793. Levou uma vida cheia de altos e baixos, e sendo privado, pela Revolução Francesa, de uma modesta pensão que percebia, terminou seus dias na miséria.
Resta-me agradecer e elogiar programas desta natureza que acontecem, gratuitamente, em horário bem razoável, às 19 h., em nossa Capital. Parabéns aos organizadores !
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Cronista e poeta
Publicado em 21 de agosto de 2002 - no Diário de Canoas.
http://ialmar.pio.schneider.zip.net/
EM 29.06.2009
DIÁRIO DE CANOAS
EM 13.12.09


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

TROVA de IALMAR PIO

TROVA

Muito te amei... é verdade !
Meu coração, assim diz.
Mas, por infelicidade,
não consegui ser feliz !

IALMAR PIO

Capão da Canoa - RS, praia - em 1.1.2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

S O N E T O de IALMAR PIO - AQUARELA de ÂNGELA PONSI

Aquarela de Ângela Ponsi


SONETO - em 21.01.2010 - Capão da Canoa - RS


Preciso te esquecer nos momentos adversos

em que sonho contigo e me deixo a ficar

pensativo, escrevendo os meus tristonhos versos

repletos de emoção, vendo as ondas do mar...


Se pudesse fugir para outros universos

onde existisse a paz que permite sonhar

felizes madrigais que não sejam perversos,

levaria meu ser, hoje, para este lugar.


Porém, onde estivesse, ainda que sozinho,

te levaria junto aos meus bons pensamentos,

porque tua lembrança, enfim, é o meu carinho...


Se soubesse olvidar teu semblante garrido,

não seria feliz quanto aos meus sentimentos,

pois sem te conhecer, não teria vivido !