sexta-feira, 11 de setembro de 2009

C R Ô N I C A de IALMAR PIO - IMAGEM de GLAUCIA SCHERER

Tela de Glaucia Scherer



SEMANA FARROUPILHA

IALMAR PIO SCHNEIDER

Foi na madrugada de 20 de setembro de 1835, portanto, há cento e sessenta e três anos passados, que os rebeldes farroupilhas adentraram a cidade de Porto Alegre, quando atravessando a ponte da Azenha, ocuparam os pontos estratégicos, fazendo com que o governo de Fernandes Braga, não resistisse e embarcasse na escuna Rio-grandense, rumo a Rio Grande, deixando a proclamação: “Às armas, cidadãos! Às armas, que a pátria se acha em perigo!”. Depois disto seriam dez anos de lutas para que fosse implantada a República Rio-Grandense, com que sonhavam os paladinos patrícios de antanho.
No livro OS VARÕES ASSINALADOS - O Romance da Guerra dos Farrapos, de Tabajara Ruas, mergulhamos num clima de atavismo que nos envolve quais participantes da grande epopéia farroupilha escrita em prosa, mas como um longo poema, já sugerido pelo próprio título. Lembra-me Camões na primeira estrofe do seu imortal OS LUSÍADAS, “As armas, & os barões assinalados,”. Fico refletindo qual seria a situação da pátria se houvesse persistido a ruptura e concretizada a República Rio-grandense naquela época...
Ao ensejo do transcurso da Semana Farroupilha, quando a maioria dos gaúchos pilchados rememoram os feitos dos nossos ancestrais farrapos, fui buscar no fundo do meu baú um soneto que escrevi pelos idos de 1960, no seguinte teor: FARROUPILHA//Levantou-se o gaúcho sobranceiro/no alto da coxilha verdejante !/Carregava uma carga no semblante/dum tristor que seria o derradeiro...//A glória de lutar e ser galante:/- o sonho que conduz o aventureiro./A honra de ser livre e ser gigante:/- o lema que conduz o pegureiro.//Este lema e este sonho se fundiram/e assim surgiu o nobre farroupilha/que lutou com ousada galhardia//porque a honra e a justiça escapuliram/da canhada e do topo da coxilha,/do pago em que ele viu a luz do dia !...
Felizmente, após tantos embates e peripécias, veio a paz honrosa, urdida pelo insigne patriota Duque de Caxias. Era tempo de recomeçar a construir, pois muitas obras tinham que ser feitas, e algumas haviam sido paralisadas por quase dez anos de guerra. A província contava também com a contribuição valiosa dos imigrantes alemães que se estabeleceram às margens do Rio dos Sinos, notadamente em São Leopoldo. Mais tarde vieram os italianos que subiram a serra e foram fundar núcleos coloniais, sendo o mais importante o da atual Caxias do Sul.
Hoje todos nós, os sul-rio-grandenses, iluminados pelos faróis da liberdade, irmanados pelos mesmos ideais republicanos, durante esta semana, prestamos justa homenagem aos nossos heróicos ancestrais, pois foi deles que herdamos as mais caras tradições do telurismo gaúcho.

DC (16-09-1998)



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

POEMA de IALMAR PIO - AQUARELA de ÂNGELA PONSI

Aquarela verão de Ângela Ponsi



SEM A TUA COMPANHIA
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Ialmar Pio Schneider
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A chuva cai lá fora
em meio à noite escura...
Ah! como tarda surgir a aurora
que me trará novas promessas de ventura !

Novas luzes
levantarão com a alvorada.
Novos ritmos de poesia
ouvirei na voz maviosa da passarada.
Verei novas cores para a fantasia
e no entanto estarei irremediavelmente triste
sem a tua confortável companhia.
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Passo Fundo, 1960
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Publicado no O TIMONEIRO DE 5.3.82 - Pág. 10 - Canoas (RS)
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sábado, 5 de setembro de 2009

SONETO de IALMAR PIO - IMAGEM - Soneto de Ronsard

Imagem do Soneto de Ronsard


S O N E T O I

Ialmar Pio Schneider

Quando leres meus versos, na calada
da noite escura e não te contiveres,
ao relembrar que foste minha amada
e eu poderei estar com outras mulheres...

Ao te sentires só e abandonada,
de minha companhia não dispuseres,
mas sem dormir em alta madrugada
conciliar o sono não puderes...

Quando em teus olhos rebentar o pranto
com amargura que te roube a paz,
perdida em solidão e desencanto,

de me esquecer não fores já capaz,
minha presença vai pesar-te tanto
que fatalmente te arrependerás!

pág. 14 - “O TIMONEIRO” - 18.9.81 - CANOAS (RS)
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

S O N E T O de IALMAR PIO - AQUARELA de ÂNGELA PON

Aquarela de Ângela Ponsi



SONETO A UMA MUSA

Tento ainda escrever mas, tristemente,
meu coração soluça e não esquece
a musa que enfatiza a minha prece
e sinto que estou mal, estou doente.

Por que será que foste a grande ausente
na vida do poeta que padece,
(oh! fada que percorres minha messe)
e me fazes sofrer inutilmente?!...

No entanto, minha velha companheira,
eu te levo comigo na desdita,
e há de ser a esperança derradeira

de seguir versejando amargas penas,
porque em sonhos te vejo tão bonita,
e pra mim tal conforto basta, apenas...


IALMAR PIO SCHNEIDER

pág. 10 - “O TIMONEIRO” - 21.8.81 - CANOAS (RS)

sábado, 29 de agosto de 2009

CRÔNICA de IALMAR - TELA de GLAUCIA SCHERER

Tela de Glaucia Scherer


OFICINA DE LETRAS DE MÚSICAS GAÚCHAS

IALMAR PIO SCHNEIDER

Sempre que avisto algum anúncio de oficina ou similar, a respeito de literatura (poesia ou prosa), e que me seja possível frequentar, principalmente com inscrições gratuitas, já me interessa conhecer. Foi assim, que no dia 22 de novembro p.p., li num periódico o seguinte: “Literatura na Biblioteca - Biblioteca Pública do Estado (Riachuelo, 1190), 19h30, 3224-5045 - Oficina de literatura e música com Richard Serraria - (Bataclã FC), Inscrições gratuitas - Hoje”.
Imediatamente, disquei o número do telefone e me inscrevi. À hora marcada, ou seja às 19h30min, lá estava eu pronto para enfrentar o desafio de aprender um pouco mais. Há muito tempo ouço dizerem que “saber não ocupa lugar”, e como considero válido este brocardo, procuro segui-lo em meu dia-a-dia. O jovem literato Richard Serraria (pseudônimo), iniciou as atividades lendo textos poéticos de autores modernos gaúchos, sendo eles, Mauro Moraes - Com o violão na garupa, Vinícius Brum/Jacaré - Deixem seus olhos fixos, Nei Lisboa - A utilidade das palavras, No braço com a vida - Nélson Coelho de Castro, Causo Farrapo - Vítor Ramil, Rio Grande Nativo - Paulinho Pires e Inverno - Marcelo Delacroix/Arthur de Faria, ao mesmo tempo em que ouvíamos as músicas dos respectivos CD s. Estávamos em sete pessoas, no Salão Mourisco da Biblioteca, que por si só já representa uma inestimável obra de arte, e ele foi analisando as letras musicais sob a ótica literária, empregos de figuras de linguagem, principalmente metáforas, e o ritmo das composições. Por último nos brindou com um poema de sua autoria: “Nasci na Serraria - Richard Serraria e Bataclã FC (CD Armazém de mantimentos) - Part. esp.: Borghettinho - nasci no quarto do santos, na serraria.../ para quem não sabe bem ao sul da lama do arroio dilúvio.../ a seis ou a sete de janeiro... a certidão diz a sete mas minha família toda/ jura que foi a seis... embora tenha nascido no então beco dos amigos casa de/ meu avô, não morávamos onde batia o rio no fundo do pátio todo inverno.../ eles se conheciam, o velho joão mestre de obras sabia que dali daquela/ marca no pé de chorão o rio e o inverno não passavam, e não admitia que/ nenhum neto não nascesse na beira do Guaíba.//minha mãe e meu pai vieram da sanga da morte no cristal assim que dei os/ primeiros sinais de inquietação por nascer.../ mas chegando na serraria o velho disse que eu devia ter ainda umas vinte quatro de silêncio pela frente, foi aí que deu liga...// tarde da noite, não houve tempo para preparar o quarto da frente da casa onde nasciam os netos.// Assim, improvisaram para minha mãe uma cama no quarto dos santos que era uma espécie de santuário dentro de casa, com entidades de gesso, frente pro sol de manhã,/ um lugar lavado e leve/como dizia o velho meu avô... não sei porque a minha pressa em nascer mas a verdade é que na mesma madrugada vim ver as coisas aqui por fora, guiado pelo olho cego do sol que tem muita sede no rio grande em todo início de janeiro...// Peço ajuda a quem puder esclarecer meia dúzia de perguntas sem sentido.../ um homem vive como morre, sem saber de nada,/ solito no más,/ como uma cova no campo santo,/ enterro de pobre,/ é uma vala sem nome,/ só um buraco, sem gente além do homem da pá./ Isso é tudo que se tem/ Isso é tudo que se tem.”
Final patético e realista que traduz a vinda ao mundo e ao término da existência do ser humano. Finalmente, o que restou ? Aquilo que se fizer em prol da convivência harmônica entre todos os habitantes da Terra. Mas esta já é outra conversa. Fiquemos na música e literatura.
Assim passamos uma hora e meia, até às 21 h, enriquecendo nosso cabedal de conhecimentos a respeito de música e poesia gaúchas modernas. Considero isto uma maneira branda e atraente de acrescentar algo na aprendizagem de novos conteúdos sobre a cultura popular riograndense e brasileira. Que surjam outras iniciativas desta natureza !
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Cronista e poeta - E-MAIL: rs080254@via-rs.net
Publicado em 11 de dezembro de 2002 - no Diário de Canoas.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

SONETO de IALMAR - AQUARELA de ÂNGELA

Aquarela La Reina de Ângela Ponsi



SONETO

Ialmar Pio Schneider

A noite ainda esconde os seus mistérios,
é tempo de chorar pelos fracassos...
As estrelas nos páramos sidéreos,
indiferentes, seguem os meus passos.

Quisera tanto agora teus abraços
e receber assim sonhos etéreos,
que devem existir pelos espaços
para poetas que nem eu, aéreos !...

Vem, ó Musa, consola o teu eleito,
nestas horas noturnas de ansiedade
em que sinto um delírio no meu peito !

Antes que surja o sol à minha porta,
aparece, matando-me a saudade,
e a me provar que não estejas morta !...

- 22.03.97

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

SONETO de IALMAR PIO - Imagem - jardim

jardim


DESEJO ALGOZ


Não quisera perder e nem estar perdido
quando me vejo a sós em meio à multidão,
à procura de alguém, o amor desconhecido
que pode ser real ou simples ilusão...

Talvez há de surgir qual um fruto proibido
numa tarde banal na minha solidão,
e se concretizar ao ser correspondido
ou morrer infeliz, só na imaginação...

Triste desejo algoz que tem me torturado
com tanta intensidade e não posso esquecer
como se eu fosse assim um pária condenado
cujo destino seja apenas padecer...



Bani-lo de minh’alma em vão tenho tentado,
vive dentro de mim, faz parte do meu ser.





IALMAR PIO SCHNEIDER